Trump promete proteção a Netanyahu, desafiando a ameaça do prefeito de Nova York de prendê-lo por crimes de guerra.

O presidente Donald Trump afirma que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu não será preso em Nova York, desafiando as ameaças do prefeito Zohran Mamdani, baseadas em mandados de prisão por crimes de guerra do Tribunal Penal Internacional.

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Staff Writer
Publicado em 20/07/2026 21:55
Trump promete proteção a Netanyahu, desafiando a ameaça do prefeito de Nova York de prendê-lo por crimes de guerra.

Um Conflito de Jurisdições: Trump vs. Mamdani

Em uma demonstração clara da divisão política entre o executivo federal dos EUA e a liderança municipal, o presidente Donald Trump rejeitou explicitamente as ameaças de prisão contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. O confronto ocorre após uma declaração pública do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que sugeriu que o líder israelense poderia ser detido caso visitasse a cidade.

Na segunda-feira, o presidente Trump usou as redes sociais para afirmar que Netanyahu não seria detido "de forma alguma" enquanto estivesse em solo americano.

Embora Trump não tenha mencionado o prefeito Mamdani diretamente em sua postagem, o contexto era claro: o governo federal pretende garantir a passagem segura e a proteção do primeiro-ministro israelense, citando a cooperação e a assistência cruciais de Israel no conflito em curso entre os EUA e o Irã.

O Mandado do TPI e a Posição de Nova York

A tensão gira em torno de um mandado de prisão de 2024 emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), que acusou Benjamin Netanyahu de crimes de guerra relacionados à devastadora campanha militar em Gaza. O prefeito Zohran Mamdani, que tem se manifestado sobre direitos humanos e direito internacional, argumentou que as conclusões do TPI devem ser mantidas.

"Acredito que o primeiro-ministro Netanyahu deva estar em Haia", afirmou Mamdani em uma entrevista recente. Ele caracterizou o primeiro-ministro como um criminoso de guerra, alegando que as atrocidades cometidas nos últimos anos justificam uma ação legal. Mamdani indicou que sua administração está avaliando a viabilidade legal de ordenar ao Departamento de Polícia da Cidade de Nova York (NYPD) que execute o mandado do TPI caso Netanyahu compareça à Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro.

No entanto, o prefeito reconheceu a complexidade do cenário jurídico, observando que está em "diálogo ativo" com o Departamento Jurídico da cidade para determinar se um líder municipal tem autoridade para deter um chefe de Estado estrangeiro. "Faremos tudo o que a lei me permitir na cidade de Nova York", esclareceu Mamdani, acrescentando que a cidade não criará novas leis para efetuar a prisão.

Resposta de Israel e o Conflito EUA-TPI

O governo israelense reagiu com indignação às sugestões do prefeito. Em uma publicação no X (antigo Twitter), autoridades israelenses desdenharam do TPI, chamando-o de "tribunal de fachada" e classificando o mandado de prisão como "falso". Eles também acusaram o prefeito Mamdani de tentar desviar a atenção pública de seus próprios desafios políticos internos.

O conflito destaca uma luta geopolítica mais ampla sobre a legitimidade do TPI. Criado em 2002 para processar genocídio e crimes contra a humanidade, a jurisdição do tribunal é rejeitada tanto por Israel quanto pelos Estados Unidos, nenhum dos quais é membro. Sob a atual administração, o presidente Trump fez uma campanha agressiva para enfraquecer o TPI, implementando sanções contra promotores, juízes e organizações que buscam decisões legais contra Israel.

Implicações diplomáticas para a Assembleia Geral da ONU

A próxima Assembleia Geral da ONU, em setembro, tradicionalmente conta com o discurso do primeiro-ministro israelense no cenário mundial. Com o governo federal prometendo imunidade e um governo municipal considerando prisões, o evento pode se tornar um ponto crítico para o caos jurídico e diplomático. O resultado provavelmente dependerá da interseção entre a imunidade diplomática — que normalmente protege chefes de Estado — e a determinação das autoridades locais de Nova York em fazer cumprir mandados internacionais em território nacional.

Fonte: www.aljazeera.com

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