Pentágono anuncia expansão de bases no Reino Unido no valor de US$ 4 bilhões: um retorno ao armazenamento nuclear?
Os EUA planejam uma modernização de US$ 4 bilhões para as bases aéreas do Reino Unido, incluindo novos bunkers na RAF Lakenheath, potencialmente projetados para armazenamento de armas nucleares e instalações de espionagem ampliadas.

Um Investimento Maciço em Infraestrutura Estratégica
Documentos oficiais recentemente descobertos revelam um amplo plano de investimento de US$ 4 bilhões (£ 3 bilhões) do governo dos Estados Unidos para modernizar sua rede de instalações militares e de inteligência no Reino Unido. Essa significativa injeção financeira sinaliza um aprofundamento da presença militar dos EUA em solo britânico, provocando um intenso debate sobre as implicações estratégicas e éticas de abrigar armamentos e recursos de vigilância de alto risco.
A escala da expansão é vasta, afetando pelo menos 15 bases e instalações diferentes, onde mais de 12.000 militares americanos estão atualmente alocados. De acordo com apresentações feitas pelo Centro de Instalação e Apoio à Missão da Força Aérea, o orçamento atual para planejamento, projeto e construção totaliza US$ 4,2 bilhões, com mais US$ 1,3 bilhão em fase de projeto.
O Retorno do Arsenal Nuclear à RAF Lakenheath
O aspecto mais controverso da modernização envolve a RAF Lakenheath em Suffolk.
Como a maior base dos EUA no Reino Unido, Lakenheath está prevista para receber mais de US$ 1,6 bilhão em melhorias. Arquivos do Pentágono sugerem que esses fundos são destinados à construção de bunkers reforçados e medidas de segurança aprimoradas, projetadas para abrigar a última geração de bombas nucleares. Isso marca um possível retorno a uma postura da época da Guerra Fria. Embora armas nucleares tenham sido notoriamente armazenadas em Lakenheath para servir como dissuasão contra a União Soviética, acredita-se que elas tenham sido removidas por volta de 2008. A nova infraestrutura, incluindo acomodações ampliadas para o pessoal, indica uma mudança de volta para uma presença nuclear permanente. Embora os governos dos EUA e do Reino Unido mantenham uma política rigorosa de não confirmar nem negar a presença de armas nucleares em locais específicos, os requisitos arquitetônicos dos novos bunkers tornam o propósito cada vez mais claro. Operações Secretas e Alcance Global na RAF Mildenhall Paralelamente às melhorias nucleares, a RAF Mildenhall em Suffolk deverá receber US$ 1,1 bilhão. Embora a base forneça suporte crucial de reabastecimento para missões de longo alcance — incluindo os recentes bombardeios ao Irã — uma parcela significativa do financiamento é destinada ao lado "secreto" das operações militares.O Pentágono planeja construir instalações específicas para unidades secretas encarregadas de enviar agentes especiais para "territórios hostis, negados ou politicamente sensíveis" na África e na Europa. Ao consolidar essas aeronaves e agentes em um único centro modernizado, os EUA visam reduzir drasticamente os tempos de resposta durante crises internacionais.
Destruidores de Bunkers e Vigilância de Alta Tecnologia
Em Gloucestershire, a RAF Fairford está destinada a receber quase US$ 500 milhões em melhorias. Conhecida por sua enorme pista de 3,2 quilômetros, capaz de suportar bombardeiros pesados B-1 e B-52, Fairford é essencial para o lançamento de cargas "destruidoras de bunkers". O investimento financiará um novo complexo de hangares de grande escala e alojamentos renovados para acomodar um aumento no número de tripulantes, encurtando efetivamente a rota de voo para missões com alvo no Oriente Médio.
A expansão também se estende ao âmbito digital. Menwith Hill, a estação de escuta altamente secreta em Yorkshire Dales, receberá US$ 163 milhões. Este local, caracterizado por seus icônicos radomes brancos, serve como um nó primário para a rede global de vigilância dos EUA, capturando comunicações de todo o mundo.
Uma Aliança Tensa em um Clima Político em Transformação
Essas melhorias ocorrem em um momento de volatilidade diplomática. Embora a "relação especial" tenha historicamente sustentado esses acordos de bases, tensões recentes surgiram. O ex-presidente Donald Trump já criticou o governo do Reino Unido pela suposta falta de apoio durante os conflitos com o Irã, chegando a ameaçar reduzir a presença militar dos EUA na Europa.
Apesar desses atritos políticos, o investimento físico em solo britânico continua a acelerar. Para os ativistas antinucleares e defensores da soberania nuclear, o aumento de US$ 4 bilhões não é apenas uma questão de construção, mas um sinal de que o Reino Unido continua sendo um alvo principal, e potencialmente perigoso, nas estratégias nucleares globais.