O congressista americano Ro Khanna enfrenta reação política negativa após detenção na Cisjordânia.
O congressista americano Ro Khanna enfrenta ataques políticos após ser detido por colonos armados na Cisjordânia ocupada, o que gerou um debate sobre as relações entre os Estados Unidos e Israel.

Um impasse na Cisjordânia
O deputado americano Ro Khanna se encontra no centro de uma crescente controvérsia diplomática e política após um incidente na Cisjordânia ocupada. Durante uma visita a uma aldeia palestina, o democrata da Califórnia e sua delegação foram parados e detidos por mais de uma hora por colonos israelenses armados, um encontro que, segundo ele, foi facilitado pela presença e inação do exército israelense.
Khanna descreveu uma experiência angustiante, afirmando que os colonos exibiram fuzis M4, intimidaram seu grupo e zombaram deles enquanto gravavam o encontro. Ele refutou explicitamente as alegações do exército israelense de que a estrada foi meramente "desobstruída", afirmando que as forças militares presentes no local foram cúmplices da detenção.
As consequências políticas e as alegações de "autovitimização"
Após o incidente, a resposta de autoridades israelenses e de algumas figuras políticas americanas foi desacreditar o deputado.
O embaixador israelense nos EUA, Michael Leiter, criticou o planejamento da viagem, alegando que Khanna não coordenou adequadamente com o governo israelense. Leiter sugeriu que o momento da divulgação do vídeo foi uma manobra política calculada para desviar a atenção dos problemas em torno de uma disputa para o Senado no Maine, uma alegação que Khanna nega veementemente. Outros políticos americanos, incluindo o deputado republicano Greg Murphy, caracterizaram o episódio como uma "jogada publicitária" e um ato de "autovitimização". No entanto, o incidente atraiu apoio de setores inesperados, incluindo o comentarista conservador Tucker Carlson, que criticou duramente o embaixador dos EUA em Israel por não defender um funcionário americano ameaçado por agentes estrangeiros. Este evento destaca uma questão mais ampla e contínua relativa à segurança dos cidadãos americanos na Cisjordânia. A Corte Internacional de Justiça já decidiu que a ocupação israelense e as políticas de assentamento violam o direito internacional. Apesar dos casos documentados de violência contra cidadãos americanos — incluindo as mortes de Sayfollah Musallet e Khamis Ayyad nos últimos anos — os EUA continuam a fornecer ajuda militar significativa a Israel. À medida que o debate se intensifica, o deputado Khanna afirma que sua experiência evidencia uma falha sistêmica. Ele continua a exigir responsabilização tanto dos colonos envolvidos quanto dos militares que permitiram a continuidade da detenção, argumentando que um passaporte americano não deveria ser submetido a tal tratamento pelas forças de um aliado estrangeiro.