Indignação em Bolonha: Protestos eclodem após morte de cidadão marroquino durante prisão policial.

Bolonha, na Itália, enfrenta violentos protestos após a morte do marroquino Abderrahim Fakir durante uma prisão policial, o que gerou comparações com o caso de George Floyd e acusações de brutalidade policial.

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Staff Writer
Publicado em 20/07/2026 22:01
Indignação em Bolonha: Protestos eclodem após morte de cidadão marroquino durante prisão policial.

Tensões Explodem no Norte da Itália

A cidade de Bolonha tornou-se o epicentro de intensos protestos civis após a morte de Abderrahim Fakir, um empresário marroquino de 42 anos. Por duas noites consecutivas, as ruas da cidade do norte da Itália estiveram repletas de manifestantes exigindo justiça, enquanto o incidente desencadeia um debate nacional sobre a brutalidade policial e o tratamento de imigrantes na Itália.

A situação se agravou na noite de segunda-feira, quando centenas de manifestantes se reuniram, levando a confrontos violentos com as forças de segurança. A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar a multidão, enquanto alguns manifestantes responderam lançando fogos de artifício. Os protestos ressaltam uma profunda indignação com as circunstâncias da morte de Fakir durante uma tentativa de prisão na noite anterior.

O Incidente: Uma Tragédia Viral

A tragédia foi registrada em um vídeo comovente filmado por um morador local e amplamente compartilhado nas redes sociais.

As imagens mostram Fakir imobilizado de bruços no asfalto, contido por dois policiais. Na gravação, Fakir pode ser ouvido implorando repetidamente por ajuda, gritando “socorro, socorro, já chega”, antes de finalmente ficar em silêncio. Críticos e testemunhas apontaram um detalhe perturbador nas imagens: os policiais continuaram a amarrar os tornozelos de Fakir antes de verificar seus sinais vitais. Relatos indicam que a polícia usou spray de pimenta e o imobilizou depois que ele supostamente reagiu agressivamente à prisão. O irmão de Fakir, falando ao Corriere Della Sera, expressou a angústia da família, afirmando: “Meu irmão pediu ajuda… e eles o mataram”. As imagens da prisão geraram comparações imediatas e gritantes com a morte de George Floyd em 2020 em Minneapolis, que desencadeou protestos globais contra o racismo sistêmico e a violência policial. Em um gesto simbólico de solidariedade e protesto, muitos manifestantes em Bolonha foram vistos ajoelhados com os punhos cerrados — uma homenagem direta ao movimento Black Lives Matter.

A tragédia também desencadeou uma acirrada batalha política. O legislador de centro-esquerda Francesco Boccia alertou que a Itália corre o risco de adotar um “modelo ICE” de policiamento, referindo-se à agência de Imigração e Alfândega dos EUA, que enfrentou acusações semelhantes de uso excessivo da força e desfechos letais durante detenções.

Um cenário político dividido

O governo italiano permanece profundamente dividido sobre o ocorrido. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini e membros da coalizão de extrema-direita saíram em defesa dos policiais, elogiando sua conduta e classificando os protestos públicos como inaceitáveis. O ministro para Assuntos Europeus, Tommaso Foti, foi além, descrevendo os gritos de “assassinos policiais” como “vergonhosos”.

Por outro lado, os protestos receberam apoio significativo do prefeito de Bolonha e de vários grandes sindicatos. Políticos da oposição acusaram o atual governo de fomentar um ambiente onde a violência é promovida através de políticas policiais agressivas.

Processos Legais e a Busca pela Verdade

Em resposta à indignação pública, os procuradores de Bolonha iniciaram um inquérito formal. A investigação está sendo conduzida sob um procedimento legal recentemente introduzido, concebido para garantir a transparência em casos de morte sob custódia. Os investigadores solicitaram oficialmente as imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos para determinar se a força utilizada foi proporcional e se a omissão em prestar socorro médico imediato contribuiu para a morte de Fakir.

Fonte: www.aljazeera.com

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