Democratas do Senado dos EUA bloqueiam projeto de lei de defesa devido à guerra com o Irã e aos laços com Israel.
Os democratas do Senado dos EUA bloquearam o projeto de lei anual de defesa, citando objeções à guerra de Trump contra o Irã e às novas disposições para a integração da inteligência militar com Israel.

Em um impasse legislativo significativo, os senadores democratas bloquearam com sucesso o avanço da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA, na sigla em inglês), citando profundas preocupações com a escalada militar do governo Trump contra o Irã e disposições controversas envolvendo a integração da defesa israelense. A votação, que seguiu as linhas partidárias por 50 a 46, negou à moção o limite de 60 votos necessário para prosseguir para o debate.
Um Conflito de Política e Princípio
O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, descreveu o projeto de lei como uma potencial "carta branca" para o governo continuar as operações militares contra o Irã sem a devida supervisão do Congresso. Os críticos argumentam que a Casa Branca está se esquivando de seus deveres constitucionais ao se envolver em um conflito não declarado.
Uma coalizão de organizações de liberdades civis e pacifistas — incluindo a ACLU, a J Street e a Win Without War — pressionou os legisladores para garantir que a Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) inclua emendas que restrinjam o financiamento do que consideram uma guerra não autorizada.Integração com Israel sob escrutínio
Além do conflito com o Irã, o projeto de lei enfrenta intenso escrutínio devido à linguagem que aprofundaria a cooperação militar e de inteligência entre os EUA e Israel. Um ponto específico de discórdia é a determinação para que o Pentágono nomeie um funcionário para supervisionar a integração de tecnologias de defesa, incluindo pesquisa conjunta de armas e "fusão de dados". A Human Rights Watch alertou que essa integração poderia potencialmente envolver os EUA em programas de vigilância em massa, já que o sistema combinaria informações de inteligência de múltiplas fontes em um quadro unificado de alvos.
Mudança nas prioridades democratas
Senadores democratas proeminentes, incluindo Bernie Sanders e Elizabeth Warren, assinaram cartas expressando sua oposição ao aprofundamento dos laços com o atual governo israelense. Essa rebelião legislativa reflete uma mudança mais ampla no cenário político americano, onde o apoio público à política israelense entre os democratas diminuiu significativamente, caindo de 59% em 2018 para apenas 22% em maio de 2026. Com a aproximação das eleições de meio de mandato em novembro, esses debates políticos servem como um microcosmo da mudança de postura do partido em relação ao envolvimento estrangeiro e à segurança internacional.