Autoridades sírias prendem ex-oficial ligado a crimes com gás sarin.

As autoridades sírias prenderam o ex-coronel Ahmed Habib Ali, figura-chave acusada de fabricar bombas de gás sarin durante a campanha de armas químicas do regime de Assad.

A
Staff Writer
Publicado em 15/07/2026 20:03

As autoridades sírias anunciaram a prisão de Ahmed Habib Ali, um ex-coronel acusado de atuar como especialista-chave no programa de armas químicas do regime do ex-presidente Bashar al-Assad. A prisão representa um passo significativo nos esforços da era pós-Assad para responsabilizar as autoridades pelas atrocidades cometidas durante os 13 anos de guerra civil.

Um Papel Central na Guerra Química

De acordo com o Ministério do Interior sírio, Ali era uma figura central na 'Unidade 417', uma instalação secreta de armas químicas localizada nos arredores de Damasco. As autoridades alegam que ele era diretamente responsável pela gestão dos depósitos de gás sarin e desempenhou um papel fundamental no processo de fabricação.

Especificamente, os investigadores alegam que Ali supervisionou a produção de aproximadamente 20 bombas carregadas com sarin, cada uma pesando 250 quilos, que teriam sido utilizadas em ataques devastadores em diversas cidades e vilas sírias entre 2013 e 2017.

Contexto do Processo

Esta prisão decorre de uma iniciativa mais ampla do poder judicial sírio para processar casos de crimes de guerra contra antigos funcionários do regime. Desde a queda do governo Assad em dezembro de 2024, dezenas de pessoas foram detidas. Os processos judiciais visam abordar o uso sistemático de armamento proibido que causou mortes e traumas generalizados entre a população civil.

Reintegração Internacional

A medida ocorre pouco depois da Síria ter sido reintegrada à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ). O órgão de vigilância havia suspendido anteriormente o direito de voto da Síria em 2021, após relatos confirmados de que a força aérea do país utilizou gás sarin e cloro contra seus próprios cidadãos. Entre esses incidentes, destaca-se o catastrófico ataque de 2013, que ceifou a vida de mais de 1.400 pessoas, incluindo muitas mulheres e crianças.

À medida que o país atravessa sua frágil transição, a busca por justiça para os sobreviventes de armas químicas permanece um pilar do cenário político pós-guerra. O julgamento de oficiais como Ali é visto como essencial tanto para a reconciliação interna quanto para o cumprimento das obrigações legais internacionais relativas à não proliferação de armas químicas.

Fonte: www.aljazeera.com

Posts relacionados